"Narrativas de resistência: ressignificando a dor da violência doméstica através da escrita"
TRE-RN promove roda de conversa em homenagem ao Dia Internacional da Mulher com foco em violência doméstica e escrita

O Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte (TRE-RN) realizará, no dia 9 de março de 2026, uma roda de conversa em celebração ao Dia Internacional da Mulher, com o tema "Narrativas de resistência: ressignificando a dor da violência doméstica através da escrita". O evento ocorrerá às 10h na Esplanada do TRE-RN (1º andar), em Natal, e é aberto ao público.
Mediador e convidadas
A roda será mediada pelo juiz de Direito Fábio Ataíde, do Tribunal de Justiça do RN (TJRN) e professor da UFRN, criador do projeto "Escritores e Escritoras do Cárcere", vencedor do Prêmio Innovare 2025 na categoria Juiz. A iniciativa, integrada ao Programa Novos Rumos, utiliza a "escrevivência" para transformar histórias de pessoas privadas de liberdade em obras literárias, já acompanhando mais de 20 livros e contribuindo para a ressocialização desde 2012.
Entre as convidadas, destaca-se a professora da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN) Leila Tabosa. Ela possui graduação em Letras (UFRN), mestrado e Estudos da Linguagem (UFRN), doutorado em Poéticas da Modernidade e Pós-Modernidade (UFRN e Universidad Nacional Autónoma de Méjico), e pós-doutorado em Literatura e Teatro (UFC). Dramaturga, roteirista e curadora de artes visuais, Leila é criadora do grupo artístico Fala, Barroco (projeto de extensão da UERN), integrante do coletivo Mulherio das Letras Nísia Floresta, membro da União Brasileira de Escritores-RN e da SPVA (Sociedade dos Poetas Vivos e Afins). A professora é vice-coordenadora do Departamento de Letras Vernáculas da UERN e do Núcleo Geni (cineclube e clube literário), e lançou recentemente Soror Juana Poeta Cult (2023), Ela Nasceu Lilás & Outras Mulheres (2024) e O Levante das Águas (2025).
Também participará da roda de conversa Amanda Karoline, egressa do sistema prisional potiguar e escritora do livro “De Tambaba à Prisão:uma trama real de violências e abusos no paraíso do nudismo brasileiro”. Amanda foi condenada em 2019 a 15 anos e 7 meses de prisão por ser mandante do assassinato do marido, após sofrer abusos morais, psicológicos, físicos e sexuais desde os 15 anos. Ela é acadêmica da Academia Brasileira do Cárcere (ABLC) e sua obra relata os abusos sofridos em seu relacionamento. “Muito cedo conheci o homem que acreditei - seria o pai dos meus filhos. Aos 15 anos, o casamento e a imaginação de uma história feliz. Hoje, sobram-me cicatrizes que o tempo jamais vai apagar”, relata Amanda. A escrita serviu como terapia libertadora, expondo a violência sem romantização e revelando uma sociedade que julga sem conhecer o contexto.
O Dia Internacional da Mulher e o combate à violência doméstica
A ação do TRE-RN em celebração ao Dia Internacional da Mulher é uma ação do Comitê de Interseccionalidade, do Programa de Prevenção e Medidas de Segurança voltado ao Enfrentamento da Violência Doméstica e Familiar contra Magistradas, Servidoras e Colaboradoras no âmbito da Justiça Eleitoral do Rio Grande do Norte e da Comissão de Qualidade de Vida no Trabalho (CQVT). O encontro tem a intenção de promover reflexões sobre narrativas femininas de resistência em um espaço institucional de diálogo democrático.
Reconhecer a violência sofrida é o primeiro passo para a proteção, e nomear as dores, um gesto de cuidado consigo. Transformando o silenciamento imposto pela violência em manifestação de liberdade por meio das palavras, a roda de conversa abordará a importância da escrita para ressignificar traumas da violência doméstica.
Após o bate-papo, as escritoras irão autografar os livros adquiridos pelos presentes.

