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Justiça Eleitoral garante, pela primeira vez, o voto de presas provisórias no RN

Seção ocorreu no Centro de Detenção Provisória Feminino na Zona Norte de Natal

Seção ocorreu no Centro de Detenção Provisória Feminino na Zona Norte de Natal

Pela primeira vez no Rio Grande do Norte, mulheres presas provisoriamente participaram de uma seção eleitoral instalada dentro de uma unidade prisional. A estrutura funcionou no Centro de Detenção Provisória (CDP) Feminino, localizado na avenida Itapetinga, no bairro Potengi, na Zona Norte de Natal. Ao todo, 42 internas exerceram o direito ao voto no local.

A instalação da urna eletrônica no CDP foi viabilizada pela atuação articulada da Presidência do Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte (TRE-RN), da Corregedoria Regional Eleitoral, da Corregedoria-Geral da Justiça Eleitoral (CGE), do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte (TJRN), por meio do Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário (GMF/TJRN), e do Departamento de Promoção da Cidadania (DPC) da Secretaria de Estado da Administração Penitenciária (SEAP/RN).

A Diretora de Estabelecimento de Detenção Provisória, Giane Crystina, destacou a importância da prática da democracia entre presas provisórias, momento inédito no estado: “Foi uma novidade para elas poderem vir votar. Elas estavam bem eufóricas mesmo com a novidade, gostaram bastante. É um direito delas e por que não conseguir realizar esse direito? Trazer uma urna, eu acho que é importante sim e foi bem produtivo”.

Giane explicou também que a ação serviu como um teste para levar a votação a outros presídios nas próximas eleições. Somente presas provisórias (que ainda não foram condenadas de forma definitiva) podem votar, pois quem já cumpre pena definitiva perde temporariamente o direito de voto.

O local abriga 148 presas, das quais 59 estavam aptas a votar. No entanto, apenas 42 votaram, pois as demais obtiveram o alvará de soltura antes do dia da eleição.

Exercício da cidadania entre pessoas privadas de liberdade

O trabalho teve início em 2025 e envolveu uma articulação interinstitucional voltada à identificação, documentação civil e regularização da situação eleitoral de pessoas privadas de liberdade. Também participaram das ações o Instituto Técnico-Científico de Perícia (ITEP/RN), a Receita Federal e a Junta de Serviço Militar, entre outros órgãos responsáveis pela emissão e regularização de documentos.

A atuação foi formalizada pela Portaria nº 07/2025-TJRN, que instituiu o Grupo de Trabalho Interinstitucional sobre Documentação Civil para Pessoas Privadas de Liberdade e Egressas do Sistema Carcerário (GTI). Coordenado e articulado pelo GMF/TJRN, o grupo funciona como espaço permanente de integração entre o Judiciário, a administração penitenciária e os órgãos responsáveis pela emissão de documentos.

A iniciativa está alinhada às diretrizes do Plano Pena Justa, especialmente às ações relacionadas à documentação civil e à garantia de direitos das pessoas privadas de liberdade. No âmbito nacional, essa agenda é coordenada e acompanhada pelo Departamento de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e do Sistema de Execução de Medidas Socioeducativas do Conselho Nacional de Justiça (DMF/CNJ), com apoio técnico do Programa Fazendo Justiça, parceria entre o CNJ e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

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